A poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, a declaração de bens de Flávio Bolsonaro (PL) à Justiça Eleitoral voltou a chamar atenção por causa de uma propriedade de alto padrão em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões. O senador e candidato à Presidência da República declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio total de R$ 8,18 milhões, valor que representa mais de três vezes o montante informado por ele em 2018. Caso seja necessário, o segundo turno está marcado para 25 de outubro.
As informações foram divulgadas pelo O Globo, que detalhou os bens apresentados pelo parlamentar. Entre eles estão fundos de investimentos que somam R$ 1 milhão, um carro avaliado em R$ 133 mil e a mansão localizada em uma área nobre de Brasília.
A residência está situada em um condomínio reservado do Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, uma das áreas nobres de Brasília. O imóvel, que passou a aparecer no noticiário nacional a partir de 2021, quando foi comprado, impressiona também pelas dimensões.
São aproximadamente 1.100 metros quadrados de área construída, em um terreno de 2.400 metros quadrados. O condomínio reúne quatro mansões distribuídas pelos cinco lotes disponíveis e conta com guarita especial e segurança 24 horas.
A propriedade tem dois andares e, segundo a descrição do imóvel, apresenta acabamentos sofisticados, incluindo pisos revestidos de mármore carrara e crema marfil.
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A casa conta com quatro suítes amplas, sendo uma delas equipada com hidromassagem. A estrutura também inclui academia, spa com aquecimento solar, espaço gourmet e brinquedoteca.
Entre os detalhes modernos mencionados no anúncio estão persianas automatizadas e iluminação em LED. A residência possui ainda oito vagas de garagem, dependências completas para empregados e motorista, lavanderia coberta, escritório, home theater e salas de estar e jantar.
Outro detalhe descrito no imóvel era a "preparação para elevador".
Na área externa, a mansão tem piscina e paisagismo com irrigação artificial, completando a estrutura da propriedade que representa aproximadamente três quartos de todo o patrimônio declarado pelo senador.
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Na aquisição da casa, Flávio Bolsonaro deu uma entrada de R$ 2,87 milhões e financiou outros R$ 3,1 milhões junto ao Banco BRB. O financiamento havia sido contratado para ser quitado em 30 anos.
O que chama atenção no histórico da propriedade é que a dívida foi encerrada em 2024, apenas alguns anos depois da contratação e 27 anos antes do prazo originalmente previsto.
Na época, segundo as informações apresentadas, integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) questionaram se a renda informada por Flávio Bolsonaro e sua mulher seria suficiente para a obtenção do financiamento.
O senador afirmou que a compra foi viabilizada pelos recursos obtidos com a "venda de seu imóvel no Rio de Janeiro" e de uma franquia de chocolates, além do financiamento.
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A evolução dos bens declarados também aparece entre os pontos de destaque. Há oito anos, quando disputou pela última vez uma eleição, Flávio Bolsonaro informou possuir aproximadamente R$ 1,73 milhão em patrimônio, valor equivalente a cerca de R$ 2,6 milhões em valores corrigidos pela inflação, conforme os dados apresentados.
Na declaração atual, o valor chega a R$ 8,18 milhões. Segundo os números fornecidos, isso representa um crescimento de 211% no período.
Além da mansão, o senador declarou R$ 568,7 mil em conta corrente, R$ 103 mil em conta-poupança, R$ 10 mil de participação societária em escritório de advocacia, uma aplicação de renda fixa de R$ 8,2 mil e outras participações societárias de R$ 249 e R$ 46 mil.
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Na eleição de 2018, quando concorreu ao Senado pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro declarou ao TSE patrimônio de aproximadamente R$ 1,74 milhão. Naquele momento, a maior parcela estava concentrada em aplicações e investimentos, que somavam R$ 558,2 mil.
A relação incluía ainda um Volvo XC 2014, avaliado em R$ 66,5 mil, além de imóveis.
Entre as propriedades estavam um apartamento residencial na Barra da Tijuca, avaliado em R$ 917 mil, e uma sala comercial na mesma região, no valor de R$ 150 mil. Também constava uma participação de 50% em uma franquia da loja de chocolates Kopenhagen, avaliada em R$ 50 mil.
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O histórico financeiro de Flávio Bolsonaro também esteve relacionado a uma investigação sobre um suposto esquema de "rachadinha" em seu gabinete, no período em que ele era deputado estadual.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em outubro de 2020, ao menos R$ 892,6 mil em espécie que seriam provenientes do suposto esquema teriam sido utilizados em negócios imobiliários do senador.
Posteriormente, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as quebras dos sigilos bancário e fiscal utilizadas na investigação, após recurso da defesa. Com isso, os elementos obtidos perderam a validade.
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No ano seguinte, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu arquivar a denúncia contra o senador, como consequência da anulação das provas que fundamentavam a acusação.
A franquia de chocolates também havia sido alvo de investigação do Ministério Público, sob suspeita de utilização para lavagem de dinheiro que teria sido desviado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O processo foi encerrado sem julgamento de mérito em razão de anulações de provas e prescrição.